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Amor secreto

(acima For the Love of Art de Martina Zoltaszek)

Ouvir aqui FADE INTO YOU

I wanna hold the hand inside you
I wanna take a breath that’s true
I look to you and I see nothing
I look to you to see the truth

You live your life, you go in shadows
You’ll come apart and you’ll go blind
Some kind of light into your darkness
Colors your eyes with what’s not there

Fade into you
Strange you never knew
Fade into you
I think it’s strange you never knew

A stranger’s light comes on slowly
A stranger’s heart without a home
You put your hands into your head
And then smiles cover your heart

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O triângulo amoroso: uma figura geométrica perigosa

O triângulo amoroso – essa figura geométrica geradora de emoções frequentemente dolorosas (ciúme, sentimento de culpabilidade, sentimento de ser um traidor, baixa de auto-estima, etc)- se o imaginarmos encenado, inclui 3 personagens:

  • O Traidor

Este actor é “aparentemente” o que decide implicar-se nesta configuração. Trata-se de uma alma dividida, à procura de integração. Uma situação difícil a afrontar mesmo se à superfície o Traidor professa o liberalismo. Raramente o ouviremos dizer “Sinto-me dividido”, muitas das vezes justificando o seu acto queixando-se do seu parceiro (a)… nomeadamente à pessoa com a qual consome a traição.

Pode, a título de exemplo, fugir de um parceiro(a) cujas necessidades emocionais considera asfixiantes, esforçando-se por não ver que, na realidade, o seu parceiro é o espelho da sua própria dificuldade em defrontar a solidão… ou o espelho de partes de si sub-desenvolvidas que precisam de crescer.

  • A Pessoa Traída

É “aparentemente” a pessoa que não consente mas pode levantar-se a questão da conivência inconsciente. A Pessoa Traída está em princípio persuadida de ser leal. É  portanto dela que se espera a expressão de dor, de ciúme e de humilhação… o que, na realidade, pode não ser completamente verdadeiro. Pode dar-se o caso de que este personagem, tal como os dois outros, tenha em si próprio uma faceta  de si que”trai”: por exemplo a sua integridade, a honestidade consigo mesma ou a honestidade em relação ao seu parceiro(a). Como ela é “passiva” no triângulo, o fenómeno é não consciente e só quando “vir” a traição é que terá a oportunidade de se tornar consciente disso.

  • O Instrumento da Traição: a Terceira Pessoa (TP)

Geralmente considerado como o Predador, este personagem é o instrumento da traição e o mau da fita, sobretudo para aqueles que constituem um casal e que receiam pelo seu futuro.

A Terceira Pessoa pode, por seu turno, ser traída pelo Traidor que pode “virar a casaca” deixando de proferir frases encorajantes como “Não há mais nada entre mim e ele(a); Já não suporto mais isto ou aquilo”, justificativas da existência do papel da Terceira Pessoa.

A armadilha para a Terceira Pessoa consiste em desvalorizar a importância da ligação já existente. Este processo ingénuo acarreta então a desilusão e o sofrimento no dia em que a Terceira Pessoa  descobre que afinal a ligação do amado com o cônjuge  não desejado é mais forte do que o Traidor – e a Terceira Pessoa –  queriam admitir.

TP torna-se então instrumento de manipulação e é instrumentado(a) para resolver a crise entre os dois parceiros, Traidor e Pessoa Traída.

Nos triângulos amorosos há fortes possibilidades de todos saírem magoados e todos perderão de alguma forma. O Traidor acaba por escolher, perdendo ao mesmo tempo que ganha alguma coisa. A vitória é amarga para a Pessoa Traída porque ela vai recuperar um parceiro extraviado. Se é a Terceira Pessoa que ganha a batalha, ela conduziu alguém a fazer uma escolha dolorosa o que pode acarretar sofrimento e ressentimento.

(do Blog Au Royaume Amoureux)

(foto destacada de Saul Leiter)

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